15 novembro 2013

Helder Miranda Comenta:
O ponto final da mulher de reticências...


O ponto final da mulher de reticências...



O texto de hoje fala sobre a diferença entre fazer e mandar. Para quem dá ordens é muito fácil. E eu gostaria de ver esses, que gostam de apenas mandar, desempenhando as tarefas que eles mesmos pedem. Cobram o que esperam dos outros, sabendo que não teriam competência para realizar o que pedem. No mundo profissional, muitas vezes, é assim.

Quando passei a escrever sobre o “Aprendiz – O Retorno”, tinha comigo uma tarefa, até então desconhecida, mas que sabia ser difícil: esconder minha predileção sobre Karina Ribeiro, a oitava eliminada desta temporada. Karina, de fato, nem chega perto da vice-campeã de três anos atrás na edição universitária do programa. O que mudou nela, então? Eu diria que nada. E foi justamente isso que a eliminou. Ao não ter o conhecimento necessário de inglês, Karina demonstrou, para o cargo que pretende trabalhar em uma empresa do porte da de Roberto Justus, que parou no tempo.

E, por isso, foi espezinhada por gente pequena e rasa, como vem demonstrando ser Guilherme Séder em sua trajetória dentro do programa, outro que não evoluiu, ao contrário, só ganhou peso e um repertório de baboseiras em seu discurso ao longo do tempo. Pessoas fortes não precisam derrubar as outras, só as levantam, mas Guilherme precisa, e foi justamente o que fez trazendo Karina, enfraquecida pela falta de domínio na língua inglesa, para o mata-mata da sala de reuniões. Não deixou de ser estratégico, mas, pelo bem dos que convivem com ele fora do pseudoconfinamento dos aprendizes, tomara que ele só jogue sujo dentro do programa.

O parque de diversões da Universal Estúdios foi o cenário. Foi uma tarefa desumana. Típica de Roberto Justus e a corja daqueles que os rodeiam – nisto incluo os conselheiros Walter Longo e Renato Santos. Karine Bidart, que criticou “a safadeza de Melina Konstandinis” por ficar perto da liderança foi, nesta tarefa, o braço direito da criticada que, desta vez, foi a líder da vez. Tanto que ganhou o prêmio de quem mais colaborou com a vitória.  E, de fato, a equipe Sinergia se saiu muito bem, terminando uma hora antes. A liderada pelo Guilherme, Flecha, bem... não terminou a primeira parte do quiz.

Renato Santos, questionado por Justus sobre qual equipe estaria se saindo melhor, não soube. Na certa, tinha acabado de chegar e foi pego de surpresa, mas um profissional de sucesso não pode dizer que não sabe. Optou por colocar defeito em ambas: “as duas tiveram suas dificuldades, mas não dá para saber”. Que dificuldade teve a equipe Sinergia, Renato?

Agora, depois de cansar os participantes depois de horas perambulando debaixo de um Sol de outro país num parque imenso como aqueles – quem passou o dia no extinto Playcenter, que é infinitamente menor, volta cansado e quebradíssimo. Exigiram uma campanha impressa em uma hora. UMA. HORA. Uma empresa séria, como a que se tem referência que é a de Roberto Justus, jamais aceitaria isso, que é subserviência. Walter Longo disse que se sentiu decepcionado, queria ver ele provar fazer melhor. Almofadinhas sempre criticam. E aquele paredão de três zombando os participantes e criticando sem ter feito dá uma espécie de embrulho no estômago.

O conselheiro Renato consegue ser mais prepotente que o próprio apresentador do programa. Roberto Justus alegou que queria saber da capacidade dos participantes frente a um desafio. Discordo. O que ele queria saber era sobre a subserviência frente a um abuso. Há uma diferença séria entre “pedido imprevisto” e “abuso”. Guilherme focou todo o seu arsenal de armas em Karina, que não soube se defender. Ela estava confiante, talvez por ser a vice-campeã da edição em que participou.

Maytê Carvalho, mais certeira em seus comentários, vem crescendo no jogo. Foi a única que teve coragem de peitar Justus e Santos, desta vez, certíssima. Ela, desta vez, ar-gu-men-tou, sobre as adversidades do grupo – formado por quatro pessoas, três deles publicitários. “Nós estávamos desde as nove horas da manhã debaixo de um sol de 40 graus exercitando, não só o corpo, como a mente, em mais de 50 questões de um quiz, e não foram condições amenas”, disse ela. “A verdade é que essas condições estavam presentes para os dois grupos. Ao responsabilizar fatores que são externos e que não estão no seu controle, você se livra da responsabilidade de fazer alguma coisa para mudar. Por isso, e não por qualquer outro motivo, você está aqui pela sétima vez”, argumentou Renato.

“Parabéns para quem desenvolveu a tarefa. Para quem teve a sensibilidade, depois de matar os nove caras divididos em dois grupos, levar a exaustão, às cinco horas da tarde, e dizer: ‘Olha, agora cria’, Foi aí que nós nos perdemos”, argumentou, muito bem, Evandro Banzatto. “Não foi uma cilada. A gente, efetivamente, esperava que estes aprendizes que estão vindo pela segunda vez, fossem capazes, apesar da exaustão, apesar do calor, pegar um papel, pegar um Power Point, e fazer”, rebateu Walter Longo. Ou seja, não querem um funcionário, mas um escravo, um robô.

Justus mostrou o trabalho feito por estagiários de 19 anos, ideia de Walter para humilhar os participantes. Foi a primeira vez que uma equipe não entrega o que foi pedido. Grave. Mas o peso maior deveria ir para a liderança de Guilherme que, mais uma vez, rateou. Mas falou, mesmo que besteira, mais que Karina, que não falou nada. Talvez ela seja adepta de um ditado indiano que diz: “Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.

Depois, foi pedido para que fosse bolada a campanha para os três que ficaram na sala – Evandro, Guilherme e Karina. Guilherme não revisou e entregou o texto com erros. Evandro, para mostrar o seu domínio em inglês, escreveu tudo no idioma estrangeiro. Karina fez coretinho. Mas já estava na mira de Justus. “Nem de longe, nem de longe é sombra daquela vice-campeã que eu tive no Aprendiz 6”.  Assim que foi despedida, a única mulher na sala de reunião começou a chorar. Um sopro de vida naquela apatia toda. O abraço recusado de Evandro foi uma prova de que não corre sangue de barata em suas veias. Tomara que a mulher de reticências, que disse que voltaria mil vezes, comece a reagir. Agora fora das telas. Pediu desculpas a Justus, mas, isso ela deveria fazer a si mesma. Estou de luto.



Helder Miranda@senhorhelder
Formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), e pós-graduado em "Mídia, Informação e Cultura", na USP (Universidade de São Paulo), Helder Miranda é jornalista, atua como editor do site cultural www.resenhando.com e também como repórter de outros veículos de comunicação. Foi redator de press-releases da Globo Livros, da DCL - Difusão Cultural do Livro, coordenador de redes sociais do selo editorial Tordesilhas e resenhista de literatura no Portal IG. Atualmente, também é estudante de Letras na UniSantos. 



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