18 dezembro 2019

MasterChef - A Revanche | A Final, por Lédson Guimarães

Texto recebido em 18/12/2019

Vai uma vitória com torta de climão de sobremesa aí, chefe?

Com a finalidade de ir direto ao ponto, sem prolongar mais do que o previsto, não farei o costumeiro resumo do episódio, pois alguns acontecimentos frustraram a mim e tantos outros telespectadores e esses detalhes merecem atenção. São falhas nada exclusivas do episódio ou da temporada concluída, nem apenas do MasterChef ou da Band, a começar pelo terrível vazamento da lista de eliminados e, eu soube ontem, por precaução própria, do vencedor, disponível na internet desde a semana de estreia da temporada, em outubro. O público deixa claro o quanto os realities não saíram de moda, porém o cuidado com a imagem e com a competição leal desses programas tem passado por um desleixo vertiginoso que põe em risco sua sobrevida à próxima década. 

Uma vitória justa (muito merecida) e estranhezas marcaram a final do MasterChef Brasil – A Revanche. O formato exibido pela Rede Bandeirantes despertou o interesse ou paixão de uma multidão pela gastronomia de maneira astronômica desde 2014, quando a emissora tornou-se pioneira na entrega de um reality culinário de popularidade instantânea. A dose dupla de temporadas anuais tem, por um lado, boa contribuição para o fato. Conhecimento nunca é de mais, o gastronômico, então, só enriquece nossa cozinha nacional. O “porém” reside nos bastidores televisivos, sendo mais direto, nos interesses escusos de quem produz a mídia e lança sombras de dúvidas ao olhar do cliente, manchando a credibilidade do próprio produto oferecido.

É nítido que o público da TV aberta vem esvaindo para outras plataformas virtuais devido às flexibilidades do meio, às diversidades de conteúdo que jorram o tempo todo e à atual crise criativa da televisão. É preciso qualidade com seriedade para competir contra a internet e frente às outras emissoras se quiser manter ou atrair maior público cativo. E, de modo semelhante aos realities mais queridos, não é o que temos visto da equipe do MasterChef Brasil. A qualidade está lá, disso ninguém pode reclamar, mas, a imparcialidade e uma carente transparência na competição têm prejudicado o interesse do público na continuidade do programa, haja visto a contínua queda de audiência.

Estou falando sobre as discrepâncias entre o conjunto de críticas dos jurados apresentadas para nós sobre os pratos (não somente da final e não somente desta temporada) e o resultado avaliativo juntamente com as reações dos chefs. Ao longo de todas as edições do MasterChef Brasil, muitas vezes pudemos notar ares de desgosto dos chefs, principalmente de Carosella, ao mesmo tempo em que consagravam um bom prato e a vitória de um participante, deixando para o telespectador uma verdadeira pulga atrás da orelha. Foi o que aconteceu tão logo Ana Paula Padrão abriu o envelope com o nome do vencedor na noite de ontem. Vimos os jurados e ex-competidores aplaudindo secamente e apenas a família de Vitor indo ao seu encontro para felicitá-lo.

Fica uma situação embaraçosa de ser assistida enquanto a credibilidade dos resultados é posta em xeque. Corri para o Instagram a fim de saber do post-revelação do vencedor e para checar nos comentários se eu não era o único a notar os fatos nebulosos. Os internautas já lançavam teorias para tentar entender e explicar aos menos atenciosos o que estava por trás das cortinas. Claramente havia algum problema com os pontos no ouvido de Ana Paula e dos três jurados, a distração recorrente pode muito bem ter comprometido a atuação adequada dos chefs para a ocasião. Há quem justifique com as preferências dos chefs pelo participante perdedor, a vitória requerida por patrocinadores para aquele mais “adequado” aos padrões de campanhas publicitárias... 

A lista é longa, então, para concluir, ainda cito o outro ponto duvidoso das mais recentes finais do MasterChef: os critérios avaliativos. A edição nos apresenta somente a análise floreada dos chefs após cada degustação. Ontem, Ana Paula Padrão revelou, em tom de quem presta maiores esclarecimentos pós-reclamações, que há toda uma tabela de quesitos (de quantidade e qualidades que julgam não precisarmos saber) a serem pontuados por Fogaça, Carosella e Jacquin. É quando notamos o contraste avaliativo: conforme a análise oral, Bourguignon serviu uma entrada excepcional e cometeu mais deslizes que Estefano no prato principal e sobremesa, entretanto, detalhes descreveram o menu de Vitor como mais ousado e criativo. Justo. Segundo a tabela de quesitos, ele venceu por apenas um ponto de vantagem. Tudo bem, mas daí a comemoração mais fria que sobremesa para o menino deixou as sombras mais escuras ainda. Um prato cheio para as reclamações dos fãs incondicionais de Estefano.

Fato é que, ambos os finalistas mantém resguardados em suas passagens pelo MasterChef Brasil motivos suficientes para garantir, sem sombras de dúvidas, os devidos lugares no pódio do A Revanche. Estefano conquistou o Brasil e os chefs na primeira temporada para amadores, onde demonstrou paixão e determinação pela gastronomia, tendo alcançado a nona posição na disputa. Em “A Revanche” obteve quatro vitórias. Vitor Bourguignon participou da quarta temporada e foi eliminado em sétimo lugar, após o famoso corte no dedo e o retorno da repescagem. N’A Revanche conquistou cinco vitórias. Por sua vez, Vitor fora constantemente subestimado pelos colegas na competição, inclusive, a própria chef Paola afirmou que duvidava do comprometimento dele com a cozinha quando o atendeu como estagiário, a surpresa veio da recusa do jovem a uma vaga de emprego no restaurante da chef em detrimento de alçar o próprio voo. 

Evolução, esforço, seriedade, habilidades técnicas, ousadia, solidariedade e muita humildade compuseram a postura de Vitor Bourguignon no MasterChef – A Revanche. Se na quarta temporada vencia as provas em equipe, vieram delas as suas derrotas na recém-finalizada edição. Os duelos comprovaram os méritos do curitibano, nascido em Brasília, que planeja trabalhar com buffet para casamentos. Vitória do Vitor, muito bem merecida! Muito sucesso para ele e Estefano. A nós, um excelente final de ano, boas festas e que 2020 nos traga maior transparência e seriedade dos profissionais para com os realities que ainda amamos.

Meus agradecimentos ao Luis, pelo espaço concedido. Até a próxima! 



5 comentários:

  1. Lédson, muito obrigado por tua participação como nosso comentarista esse ano. Cumpriste valorosamente teu compromisso de nos informar sobre tudo que ocorria no MasterChef.
    Espero poder contar contigo sempre.
    Feliz Natal e um 2020 repleto de felicidade, saúde e sucesso.
    Abraço.

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    1. Eu que te agradeço, Luís. Conte comigo!
      Muito obrigado; boas festas e um 2020 pleno pra você.
      Abraço.

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  2. Lédson,

    Tu tirou leite de pedra meu amigo. Parece q todos os realities de 2019 resolveram flopar.

    Me desculpa se te abandonei,rs, mas parei de assistir Masterchef logo q Valter saiu. Espero q no próximo ano, Masterchef venha renovado, inclusive com novos jurados, pois esse trio e esse formato já deu sinais de esgotamento.

    Enfim, ñ era segredo pra ngm q Victor venceria né? Band amadora demais.


    Feliz Natal pra ti ❤

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    1. Marrijou, eu te entendo, é frustrante quando deixam vazar as informações assim. E, realmente, que ano difícil pros realities, 2020 tem que ser o ano da virada nisso.

      Apesar de gostar dos jurados também vejo que o programa não está funcionando como deveria e que a melhor solução é a uma renovação. Fazer o quê...

      Muito obrigado, Feliz Natal pra você também!

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    2. Vi uns vídeos e apesar de gostar do Victor B., n acho q ele deveria ter ganhado depois de servir pinhão cru numa final. Enfim...

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