02 julho 2019

O Aprendiz | A Final: Gasparini é o grande campeão do reality, por Lédson Guimarães


Texto recebido em 02/07/2019

É chegada a final da temporada de retorno do maior reality show de negócios do mundo em sua versão brasileira. “O Aprendiz” ressurgiu com novidades, agora com os direitos adquiridos por ninguém menos que o empresário-apresentador Roberto Justus, que se identifica intimamente com o formato do programa e apostou alto na compra, tendo encontrado dificuldades na oferta do produto por três longos anos - tempo angustiante de espera para os fãs, sou um deles. O programa precisou buscar uma casa nova e foi recebido pela Rede Bandeirantes. 

Roberto Justus sabia que o mundo mudou bastante desde a última temporada exibida lá na Rede Record. Como empresário, teve o feeling de captar o que está em alta nos costumes da sociedade e a coragem de correr riscos para adequar uma nova roupagem a um corpo já conhecido por boa parte do público que ainda assiste TV aberta após o horário nobre enquanto confere a ele mais sabor de novidade. Afinal, é preciso também atrair público novo.

O mundo virtual ascendeu vertiginosamente na última década e interferiu no mundo dos negócios. Jovens, adolescentes, até mesmo crianças, alcançam visibilidade de um dia para o outro produzindo periodicamente conteúdo de mídia para as massas, um serviço que fazem “brincando” e capaz de gerar lucro. Todo esse novo estilo de vida e negócios poderia ser o mote da nova temporada de “O Aprendiz”, por quê não? Em vez de aspirantes a executivos os candidatos poderiam ser figuras conhecidas do meio cibernético. 

Na era viciada no “Seguir”,  “Curtir, “Compartilhar”, cada participante convidado traz consigo uma multidão de fãs. Automaticamente, multidão x multidão = cerca de duas dezenas de pontos de audiência. A lógica parece simples e eficaz. Contudo, as variáveis nunca são confiáveis. O telespectador é carente de boa programação mas não sabe o que quer. A ideia de influenciadores digitais como aprendizes é excelente na teoria. Porém é de extrema necessidade o famoso  know-how, o “saber fazer”.

A produção de “O Aprendiz” foi valente na escolha do elenco repleto de rostos desconhecidos, mas que não deveriam ser... Fugindo mais ainda da boa proposta, ataram as mãos do oleiro! O maior diferencial dos influenciadores seria convocar juntos para as ações das tarefas, no mínimo, centenas ou milhares de fãs e curiosos. Testemunhamos algumas poucas dezenas em várias provas e expressões engessadas dos aprendizes por toda a temporada, que teve péssima audiência mas, o reality foi renovado para o ano que vem. Ainda bem! Que venha com as devidas mudanças.

Verdade, enrolei demais, vamos ao que interessa. Pela primeira vez, “O Aprendiz” contou com três finalistas. Erasmo Viana, 33 anos, natural de Salvador, trabalhou como modelo e dá dicas do mundo fitness, nutrição e saúde. Na competição, trabalhou na equipe Share desde o início, inclusive, arriscou-se a ser o primeiro líder do grupo e pode sê-lo outras duas vezes, obtendo duas derrotas e uma vitória. Erasmo cresceu lentamente na disputa, era um elemento que agregava para o bom desempenho da equipe. Um momento de destaque foi a denúncia feita por ele ao apresentador durante uma Sala de Reunião, quando revelou um pacto de proteção feito entre Gabi e Xan.

Gabi Lopes, 24 anos, natural de São Paulo, é atriz, muito popular no Instagram e dá dicas de moda e beleza. A ruiva tem personalidade alto-astral, desenvolta e proativa. Foi líder quatro vezes, levando a Share a três vitórias e uma derrota. Gabriel Gasparini, mais conhecido por Gaspa, tem 30 anos, também da grande São Paulo, é administrador de empresas e do blog GaspaIndica, onde dá dicas de pratos, bebidas e estabelecimentos. Assim como Gabi, Gaspa mostrou-se um dos mais fortes candidatos desde o início do programa, sempre proativo, inteligente e criativo. Foi líder da Share uma vez, com êxito, e duas da Hashtag, perdendo nas duas vezes. 

Gaspa passou os primeiros dois terços do programa sendo considerado um participante de muita sorte, pois levava a vitória por onde transitasse. Esteve presente nas três vitórias iniciais, duas da Hashtag e uma da Share, quando Gabi o escolheu para reparar o desfalque dessa equipe. Após uma derrota, Gaspa marcou uma sequência de seis vitórias, as duas últimas no seu retorno à Hashtag, e encerrou sua carreira de aprendiz com quatro derrotas consecutivas. Entretanto, na soma total os três finalistas fizeram o mesmo placar, nove vitórias e cinco derrotas.

Vamos ver que o histórico no programa conta muito para determinar o vencedor, e é justo. A última tarefa foi individual e tinha como objetivo selecionar um dos muitos problemas correntes em uma grande metrópole como é São Paulo e instaurar uma melhoria que refletisse no bem-estar da população. Os candidatos estavam totalmente livres para escolher o problema a ser solucionado e com quem gostariam de trabalhar, exceto empresários e ativistas que fizessem o trabalho por eles. O prazo para a conclusão era de cinco dias úteis.

Gabi contatou os colegas eliminados Nathan e PC, além de um amigo empresário, e planejou uma ação pública de conscientização sobre os maus hábitos dos paulistas, como jogar bitucas de cigarro pelo chão. O projeto ganhou um ótimo nome, EvoluSampa, e contou com diversas formas de marketing, fosse através de painéis eletrônicos espalhados pela cidade, anúncio na rádio de um amigo e um cartão (SP Card) com as instruções de educação e cidadania. 

Gaspa montou uma equipe com Taty, Léo e Xan para desenvolver e incentivar a coleta seletiva do lixo produzido pelos restaurantes, visto que os estabelecimentos precisam contratar um serviço de coleta terceirizado que não faz a separação dos tipos de resíduos, tarefa que fica nas mãos dos catadores autônomos. A ideia, o Eco Restaurante, é agregar esses catadores e os donos de restaurantes na separação e destinação dos materiais, onde os recicláveis retornem à economia e produção e os orgânicos se transformem em adubo. 

Erasmo preferiu contar com o apoio de pessoas mais íntimas como a esposa e uma amiga advogada. Em reunião com o prefeito de São Paulo, a equipe apresentou o projeto Reativar, que dá atenção aos idosos inoperantes e busca reintegrá-los ao mercado de trabalho naquilo que sabem fazer e incentivar as atividades físicas. Erasmo previu a necessidade de uma verba de 20 mil reais para iniciar o projeto. O prefeito avaliou em surpreendentes 11 milhões de reais, valor que fora impulsionado pelo Banco Santander, simplesmente o recorde mundial de maior patrocínio arrecadado para um projeto desenvolvido por um participante de “O Aprendiz”.

As ações de marketing de guerrilha nas ruas de São Paulo e as apresentações dos projetos dos três finalistas foram realmente emocionantes, em especial o Reativar, de Erasmo. Novamente, a execução pareceu brilhante mas, Justus e os conselheiros precisam apontar as falhas, e a Sala de Reunião ao vivo precisou ser dura para os candidatos ao prêmio de um milhão de reais. Gabi foi a primeira a ser rechaçada. Como ficou visível, a moça não teve um foco definido como os dois colegas tiveram. A bela iniciativa de Erasmo não partiu dele, a ideia foi sugerida por sua amiga advogada e ele acatou, isso tirou o brilho de todo o potencial que o projeto tinha de lavá-lo à vitória sem muitos questionamentos. Gaspa cometeu o equívoco de responder a Ricardo Justus que não havia como arrecadar um alto patrocínio em tão poucos dias.

Discutidos esses pontos, Roberto Justus reavaliou todo o desempenho, o engajamento e a força dos projetos criados e voltou atrás na prometida decisão de demitir um dos finalistas ao vivo. Portanto, para encontrar o maior merecedor da recompensa, a reunião seguiria como todas as outras, levando-se em conta o histórico de participação de cada um no programa e confrontando-os com dinâmicas de perguntas e respostas. Agora, foi Roberto Justus quem tornou tudo enfadonho e prolongou em demasia um bloco avaliativo até objetivo, porém executado de maneira arrastada e desinteressante.

Por fim, os três conselheiros da temporada deram suas opiniões e indicações. Ricardo Justus e Zé Marques votaram a favor de Gaspa, por sua inteligência, criatividade, equilíbrio, consistência e grandes contribuições para as equipes. Viviane reconheceu as qualidades de Gaspa, incluindo a função de braço direito dos líderes, mas viu maior liderança em Gabi. Erasmo foi avaliado como sendo o candidato menos produtivo entre os três, cresceu como concorrente na segunda metade do programa. Gaspa e Gabi foram mais constantes no bom desempenho desde a primeira tarefa. A diferença entre ambos reside mesmo no equilíbrio das qualidades de Gaspa, enquanto Gabi é multitarefas, empenhando esforços sem muito foco. E a decisão de Roberto Justus foi tomada, contrariando as más línguas que sugeriam o protecionismo do empresário para com a ruiva, Gabriel Gasparini foi o grande campeão d’O Aprendiz 2019. 

Que venha o próximo e que venha com sucesso! “O Aprendiz” merece ser reconhecido como o raro entretenimento útil e construtivo que pode ser e que a sociedade está precisando mas não sabe ou ignora. A imagem do programa foi desgastada ainda na Rede Record, enquanto Justus não era figurão conhecido das grandes massas e estreou assustando a ótima audiência com seu jeito ríspido e as supostas humilhações durante as salas de reunião. Há tempo para reavaliar o histórico da temporada, erros e acertos, ouvir o que o público quer e encontrar o caminho de volta para os bons índices de audiência. Roberto Justus tem uma equipe muito competente, Viviane é uma excelente adição e “O Aprendiz” tem capacidade de erguer uma emissora a outros patamares. Falta encontrar as medidas certas. 



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