09 junho 2019

MasterChef | André eliminado, por Lédson Guimarães



Texto recebido em 10/06/2019

Eu arrisco dizer esse foi o melhor episódio da temporada do MasterChef Brasil até o momento. Foram muitas emoções e muitos preparos de qualidade. Até que enfim! Entretanto, nosso eliminado da vez já foi logo lembrando, no depoimento, que ele chegou com tudo no programa, vencendo muitas provas, e que agora estava em declínio total.

A primeira prova passou tão rápido quanto um delicioso pudim de leite é devorado após um almoço de domingo em família. A Caixa Misteriosa voltou e trouxe frutos do mar brasileiros em meio a um amontoado de ingredientes regionais litorâneos, como caju, limão, pupunha.

Quantidade generosa de opções de empratamento sempre trazem exageros por parte dos cozinheiros, que sempre se esquecem do valoroso conselho “menos é mais”. Foi o que fez André, literalmente utilizou todos os frutos do mar em sua receita. A falta de organização lhe rendeu um caldo de sururu com muita areia, mandioca mal cortada, fritura macia e por cima do caldo. Não prestou e a vaga do brasiliense estava garantida na Prova de Eliminação. E Haila, claro, também conquistou uma vaguinha recheada de esporros por deixar as emoções e saudades de Helton literalmente destemperarem seu ceviche. Pegou logo a chef Paola na veia boa e distribuindo a acidez de um mau humor a torto e a direito.

Mas foi impagável ver Lorena dando um “corte rápido Tramontina” na argentina. Ora, se o prato é de Lorena o ingrediente tem o direito de estar “regionalizado” ao gosto da cozinheira; não é tapioca, é beiju, pronto e acabou! Oxe!

E a moça fez bonito outra vez e ficou entre os destaques positivos da prova ao lado de Fernando e de Rodrigo – que fez o melhor prato trabalhando com cerca de 90% de insumos os quais só conhecia de vista. É como ele gosta de cozinhar em casa.

A Prova de Eliminação veio para judiar. Inspirada no romantismo do chef Jacquin, e convenientemente adiada para o fim de semana de véspera do Dia dos Namorados, ela exigiu todo o esforço dos cozinheiros nos múltiplos preparos de um jantar para dois à moda francesa. Era para complicar mesmo a vida dos amadores, não deveriam servir uma releitura, porém, uma réplica do cardápio reproduzido e finalizado pelo francês.

Há muito tempo o MasterChef já não me causava tamanha agonia como um mero telespectador que se coloca no lugar dos cozinheiros. A aflição por ver o incessante passo a passo do gigantesco menu da aula de Jacquin me teletransportou para a cozinha do programa e deu vontade de desamarrar o avental, virar as costas e dizer “Para mim, chega! Desisto!”

A angústia era visível em cada rosto e gesto nervoso. O mezanino nunca soou tanto como o Paraíso na Terra. Era de se presumir que um apocalipse gastronômico  realmente épico seria testemunhado por nós e provado pelos jurados. 

Ao menos tiveram o bom senso de disponibilizar duas horas para a realização do banquete. Isso somente para quem foi mediano na Prova Individual, porque para os donos dos três piores pratos Rodrigo aplicou (com muita alegria) uma punição de tempo. André teve cinco minutos a menos para cozinhar, Eduardo Richard teve -10 e Haila -15.

O impensável aconteceu e os chefs foram surpreendidos por uma boa remessa de pratos elogiáveis. Haila ficou entre os melhores pratos do dia e também provou do repentino bom humor de Paola Carosella, que felicitou a receita da goiana.

Os piores pratos foram de Eduardo Richard (que está numa maré ruim porém cumpriu todos os requisitos e subiu para o mezanino), Janaína e André. Esses dois últimos erraram a mão em quase todos os pontos da receita. André se atrapalhou bastante na cozinha, teve dificuldades com o caramelo necessário para o topo do bolo, deixou de entregar um importante molho hollandaise, fez uma apresentação feia, frutas amargas e errou o ponto do salmão, o bastante para ser o pior prato de ir e deixar a competição.

Contra toda a recente fase ruim no programa, André pode orgulhar-se por sua participação acima da média e por ser muito querido por seus colegas, pelos chefs e pelo público.

Para melhorar a experiência de assistir a um episódio memorável tivemos a prévia do próximo, o qual, tardia e finalmente, trará de volta os eliminados para a tão querida repescagem.



4 comentários:

  1. Prezado Ledson ler sua análise e melhor do que assistir ao programa.Amo

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    1. Olha, Tetê, fico feliz por saber disso! O programa já não transmite toda a emoção das primeiras temporadas, né? Infelizmente.

      Muito obrigado e continue conosco!

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  2. Fiquei com a pena do gordinho,acho que quem deveria sair era a outra gordinha,os dois cozinham mau, mais o tempero do gordinho era melhor, também aquele prato,eu levaria uns três dias pra fazer,muita coisa pra amador e fazer em duas horas, fiquei com pena de todos.

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    1. Também acho que ele está um nível acima dela (e ele é meu conterrâneo, ouvi dizer de uns conhecidos que ele cozinha bem), pelo visto a pressão na cozinha do programa afeta mesmo as habilidades dos participantes.

      Foi surreal eles conseguirem entregar todos os pratos e dentro dos conformes. Realmente estão evoluindo.

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