O que faltou dizer de Mônica Fonseca
01 de novembro de 2026 · @lopeslailah, Neuropsicanalista
A expulsão foi o desfecho de
um roteiro que ela mesma escreveu — e o mais incômodo é que ninguém no programa
percebeu a tempo.
Mônica Fonseca entrou em A
Fazenda 18 como quem já sabia o caminho. Jornalista de fofoca, comentarista de
reality no Link Podcast, 32 anos, carreira construída em redações do Sul: TV
Pampa, Record Guaíba, "Hora da Venenosa", "MasBah!" no
SBT-RS, "Balanço Geral" em Minas. Ela não era uma peoa descobrindo o
jogo — era uma profissional que passou anos analisando o jogo dos outros. E é
exatamente aí que a história fica interessante.
No dia 14 de outubro, o Notícias
da TV publicou um texto com um título cirúrgico: "Mônica Fonseca conhece
realities, mas parece não saber jogar A Fazenda 18". A análise apontava
que ela ignorava os sinais de que suas atitudes estavam queimando seu próprio
jogo.
Isso é o que faltou ser dito com
clareza. Mônica não caiu por um ato isolado numa festa. Ela caiu porque passou
seis semanas aplicando dentro da casa a mesma lógica que usava do lado de fora:
a do comentarista. Quem comenta aponta, classifica, sentencia. Quem joga
precisa construir. Ela fez muito do primeiro e pouco do segundo.
O histórico é eloquente. Em 28 de
setembro, no episódio do Resta Um, disse a Mayk Leão que ele não deveria
"se fazer de vítima". Em 29, acusou Mayk, Ariela e Maíra de
"passarem pano" para Serginho Hondjakoff, gerando uma briga
generalizada em que foi chamada de "monstro" aos berros. Em 11 de
outubro, chamou Serginho de "porco" e questionou sua higiene,
debochando do corpo do ator. Em 20 de outubro, barrou Ana Bruna no quarto
durante a guerra da cama suja. Em 30 de outubro, ameaçou não cumprir o trato do
touro e provocar punição coletiva.
Cada episódio, isolado, tem
defensores. Somados, formam um padrão: a peoa que sempre tinha razão sobre o
outro.
Aqui está a parte que a cobertura
da expulsão atropelou. Mônica tinha posições legítimas. Ela também jogou. Em 27
de outubro, recebeu de Fran Almeida o Poder da Chama Vermelha e usou com
precisão cirúrgica: trocou Eduarda Braum por Ana Bruna Avila no quarto
banquinho, virando a sexta Roça. Não foi sorte. Foi leitura de jogo. Duas
semanas antes, em 9 de outubro, já articulava com os aliados um plano para
"aniquilar traidores" na berlinda seguinte.
O que faltou dizer é que Mônica
era boa de jogo — e isso torna a queda mais trágica, não menos.
Há um detalhe que quase ninguém
explorou. Em 16 de outubro, o mesmo dia da desistência de Jottapê, Mônica teve
uma conversa no camarim com Fran e disse que pretendia sair da Alcateia, o
grupo articulado por Jottapê com Rikardo, Igor, Thaíde e a própria Fran.
"Eu não tenho problema de
ser sozinha e você também não. Meu problema foi querer analisar. Gosto de
todos, mas não dá. Vou perder a oportunidade por pessoas que eu não
conheço?"
Ela diagnosticou o próprio
problema com uma clareza que impressiona. Percebeu que estava sendo arrastada
por um coletivo que não era o dela. E não agiu. Ficou. Continuou uivando com a
matilha até o fim.
Quando Jottapê desistiu, ela o
defendeu com veemência: "Jotta não tem medo, gente. Tá doida. Ele desistiu
porque ele tinha um propósito e eu entendi, mano." Ela entendeu o
propósito dele. Não encontrou o próprio.
Na madrugada de 31 de outubro,
num baile de máscaras, Mayk Leão discutia com Fran Almeida. Mônica entrou no
meio para bloquear a passagem dele. Atingiu-o com a perna. Ele perdeu o
equilíbrio, caiu sobre uma mesa com garrafas de vidro, cortou as mãos e precisou
de pontos.
O que veio depois é o retrato
mais duro. Mayk voltou do atendimento médico, procurou Mônica aos gritos —
"Cadê aquela ridícula? Agressiva! Me empurra de novo, sua ridícula, dá
coxada de novo!" — e precisou ser retirado pelos ninjas. Mônica negou a
agressão, sustentou que ele se jogou. Fran a defendeu. A produção avaliou e
decidiu.
Às 10h da manhã, Ana Bruna Avila,
fazendeira da semana, leu o comunicado: "Participante Mônica infringiu a
regra do jogo e feriu a integridade física do participante. Por isso, ela foi
expulsa e está fora do jogo."
A Record foi além da peoa: todos
os confinados ficaram sem festa na sexta seguinte, como punição pelo
comportamento coletivo daquela noite.
Faltou dizer que Mônica Fonseca
foi a primeira expulsa de A Fazenda 18 — numa edição que já tinha três
desistências. Faltou dizer que a Record manteve seu contrato e benefícios mesmo
após a desclassificação, o que sugere que a emissora não a tratou como caso
perdido. Faltou dizer que Mayk prometeu processá-la por lesão corporal assim
que deixar o confinamento. Faltou dizer que Fran desabafou "me sinto
culpada" e que a Alcateia criticou Mayk depois da saída dela.
Mas o que faltou dizer de verdade
é mais simples e mais desconfortável: Mônica sabia exatamente o que estava
fazendo de errado, disse isso em voz alta no dia 16 de outubro, e escolheu não
mudar. Não foi uma peoa ingênua destruída por um acidente de percurso. Foi
uma analista de realities que perdeu para o próprio diagnóstico.
A equipe dela publicou nas redes:
"Essa história não termina aqui." Provavelmente não termina mesmo.
Mas dentro daquela casa, terminou porque ela nunca deixou de ser a comentarista
da própria trajetória — e comentarista, por definição, assiste de fora.
Lailah criadora da Imagem
Reversa, metodologia que analisa o comportamento humano pela psicanálise, pela
neurociência e pela análise corporal. Porque comportamento não mente.
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