Primeira etapa do festival teve performances memoráveis, problemas de som, plateias frias e artistas que superaram expectativas  

O primeiro fim de semana do Rock in Rio 2026 terminou com vencedores e derrotados — pelo menos na avaliação do g1. Depois de quatro dias bastante diferentes entre rock, metal, nostalgia dos anos 2000, MPB, jazz e pop, o portal reuniu suas críticas e montou um ranking com os cinco melhores e quatro piores shows dos palcos Mundo e Sunset.

A análise levou em consideração não apenas a importância ou o talento dos artistas, mas também reação da plateia, escolha do repertório, execução das músicas, qualidade técnica e desempenho específico no festival.

1º lugar entre os melhores: Elton John

No topo ficou Elton John, que voltou ao Brasil depois de 11 anos e, aos 79, tornou-se o headliner mais velho da história do Rock in Rio.

Com clássicos como “Your Song”, “Goodbye Yellow Brick Road” e “I Guess That’s Why They Call It the Blues”, o britânico entregou uma apresentação apoiada justamente naquilo que construiu durante décadas: repertório gigantesco, piano e uma coleção de músicas que atravessou gerações.

Bring Me The Horizon e Péricles completam o pódio

O Bring Me The Horizon ficou em segundo lugar depois de transformar o festival em uma enorme celebração com fãs, rodas de bate-cabeça e músicas que recuperaram diferentes fases da carreira da banda.

Na terceira posição apareceu Péricles, com uma escolha ousada. Em vez de apostar no pagode que o consagrou, o cantor dedicou o show à Motown, soul e R&B norte-americano. O repertório diferente ressaltou ainda mais a força vocal do artista.

Foo Fighters ficou em quarto, com Dave Grohl novamente mostrando segurança e experiência no palco, enquanto Jon Batiste fechou o Top 5 depois de misturar gospel, blues, samba, Carnaval e até referências eruditas em uma apresentação descrita como quase um “culto musical”.

Nelly lidera a lista dos piores

Na outra ponta do ranking está Nelly.

O rapper ficou em primeiro lugar entre os piores shows após apresentar uma estrutura bastante enxuta, baseada em DJ, rapper de apoio e bases gravadas. Segundo a crítica, faltaram banda, direção artística e transições mais elaboradas entre as músicas.

O show funcionou principalmente quando entravam os grandes hits nostálgicos, mas perdeu força nos momentos em que Nelly recorreu a trechos de músicas de outros artistas.

MGK enfrenta hostilidade do público

MGK aparece em segundo lugar entre os piores.

O cantor encontrou uma plateia dividida em uma noite voltada ao rock pesado e chegou a interromper a apresentação para responder ao público que o hostilizava.

Mesmo com alguns momentos melhores, como “My Ex’s Best Friend”, o pop punk emotivo do artista não conseguiu estabelecer uma conexão forte com grande parte da Cidade do Rock.

Hot Milk sofre com plateia fria

Em terceiro ficou a banda britânica Hot Milk.

Apesar do esforço no palco, o grupo encontrou um público pouco engajado e precisou pedir repetidamente por rodas punk e maior participação da plateia. A banda tentou reagir, mas a sensação final foi de um show colocado no horário e no contexto errados.

Luísa Sonza fecha lista negativa

Luísa Sonza aparece em quarto.

O anúncio “Luísa Sonza convida Menescal” sugeria uma participação mais forte da bossa nova, mas o gênero acabou restrito a uma pequena parte do espetáculo.

Além disso, o show teve público menor do que nas passagens anteriores da cantora pelo festival e sofreu com problemas técnicos. Segundo a crítica, o som ficou embolado e estourado em alguns momentos, escondendo a voz de Luísa principalmente nas músicas de batida mais pesada.

Assim, o primeiro fim de semana do Rock in Rio terminou mostrando novamente que nome grande não garante show grande — e que uma apresentação pode subir ou despencar dependendo de repertório, público, técnica e daquele ingrediente impossível de ensaiar: o que acontece quando artista e plateia finalmente se encontram. 
 

Créditos/Fontes: g1.globo