27 maio 2015

Por que chorei ao assistir o segundo episódio de “MasterChef Brasil”

Por Helder Miranda

Confesso que chorei de soluçar durante praticamente todo o segundo episódio de “MasterChef Brasil”. Ao ver os pratos desfilarem, indo e vindo, na frente de Érick Jacquin, Paola Carosella e Henrique Fogaça, pensei que ali não estavam expostas apenas porções de comida, mas sonhos de gente que nem sequer pensou um dia em se candidatar a um programa como este. 

Convenhamos, em duas edições brasileiras, o “MasterChef” não é sonho de ninguém que está ali, expondo o que cozinha e consequentemente se mostrando e disponível para ser humilhado. Respeito é bom, mas os chefs não gostam, preferem escarnecer, diminuir, talvez por se sentirem melhores fazendo isso. Mas por que o “MasterChef” não é sonho de ninguém e por que chorei tanto assistindo a um reality show? 

Porque a palavra “sonho” é usada de maneira incorreta. Só se é sonho quando se quer muito algo a vida inteira – uma casa própria, uma profissão, um casamento, uma cura. Todo o resto é “querer”, muito ou pouco, mas não passa disso. Então, quando alguém fala que “sonhava” em participar de algum reality show, chegar à final dele, essa pessoa não está falando de sonho, está falando de um desejo, muitas vezes para satisfazer o próprio ego, principalmente se for favorecido por uma edição.

Marcos, o administrador, teve a implicância imediata da chef argentina. Há algum motivo que faz com que ela imponha alguma distância entre ela e ele. Talvez seja o jeito de dono do mundo, metido a “bonitão”, que fez com que ela dissesse um sonoro “não” de cara. É nítido que Paola detestou o participante por alguma implicância gratuita, que é extremamente interessante ao telespectador.


O publicitário João Felippe, de 44 anos, prometia ser um grande personagem que, mais uma vez, nadou, nadou e morreu na praia. “Por que de novo?”, questionou a chef Paola. “Você estaria nesse lugar hoje se você tivesse desistido na sua primeira objeção?”, disse ele, numa sacada de publicitário, aparentemente bastante orquestrada para gerar uma cena forte e comoção entre os jurados. E o pedido para a mãe, que o havia ensinado a fazer o doce que o levou a ser aprovado, a entregar o avental em vez da chef, foi patético.

Se João Felippe (no início do programa o identificaram no BG como Luiz) tivesse ido longe e, mais ainda, se tivesse conquistado o troféu, ele iria pedir para a mãe entregar o troféu? Muita encenação. O que me incomoda em participantes como ele é que exageram na carga do drama e da autopiedade. É um programa de TV, o cara é publicitário, aparentemente não levanta uma grande causa, nem vai tirar a barriga da miséria se fosse o campeão da temporada, então, por favor, vamos parar de mimimi? Até porque, com tanto drama, se tivesse passado para a próxima etapa, o programa seria um porre...

Outro publicitário, o santista Raul Lemos, promete ser um grande personagem e vem surpreendendo. Os jurados não entenderam o jeito santista de ser, despachado, de bermudão, nitidamente procurando uma oportunidade, como todos os outros ali. E foi isso que me fez chorar. São muito poucos os que querem ser cozinheiros. Todos ali estão em busca de uma oportunidade que possa mudar, de alguma maneira, a vida. Não importa se só querem fama ou dinheiro, estão apostando tudo em um projeto que nem é deles e só visa audiência. 

Mas em questão de sonho, a produtora de eventos Izabel provou que tem esse sonho, já que cozinha desde os 12 anos e quase teve a trajetória no programa interrompida por Paola Carossela porque ela não apresentou firmeza. Henrique Fogaça corrigiu este que seria a primeira das grandes injustiças do programa. 

Neste episódio, dos participantes representativos, saíram a atleta adaptada Lanny, que era uma personagem interessante, mas que, justiça seja feita, não era o melhor prato, o publicitário João Felippe, que garantiu não tentar uma terceira vez (ainda bem), Fabiana, que assim que passou disse que iria para a final, o italiano Francesco e o músico Piero, Jane, que pareceu promissora com uma sopa de nome complicada e ensaiava uma “paquera de mentirinha” gostosa de se ver com o chef francês Jacques, foi mandada embora. “A gente começou com um jantar à luz de velas, e vai terminar nossa relação dentro de um galpão”. Rose, a amiga competitiva, que deve ter perdido a amizade depois de sua atitude no programa. Dezoito participantes, o joio do trigo, para formar o trigo que irá separar o joio, ou a joia. Chorei novamente.

5 comentários:

  1. Patético é o produto do seu trabalho seu merda.
    Fiz a homenagem sim para minha mãe e não há nada de patético nisso. Não sei mais quantos anos ela estará aqui então quis fazer isso por ela. Se você fosse alguém, teria mais do que um blog de merda depois de tantos anos de trabalho.
    Se um dia lhe encontrar, e vou tentar, vou lhe mostrar o que é patético.

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    1. Então, João Felippe ... Torci por você e acabo de me arrepender.

      Por esse seu comentário acho que você não merece é nada!
      Imagino como sua mãe se sentiria homenageada lendo uma "merda" dessas que você escreveu.

      Sim, foi patético. Foi apelativo. Foi constrangedor.
      Queria homenagear? Que apresentasse um prato decente e continuasse na disputa.

      Fazer "tamanha" homenagem pra "mamãe" no inicio e envergonha-la depois com a apresentação de uma porcaria de prato?

      Saiba que TODAS as mães merecem homenagens e honras. Honre a sua sendo mais educado e controlado.

      O trabalho do Sr. Helder é excelente. O seu não foi. O desclassificou.

      Lamentável.

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    2. Muitas vezes comentaristas se arrependem do que disseram e apagam seus comentários.

      Deixo abaixo cópia do texto a que me refiro publicado pelo Sr. João Felippe Macerou Barbosa (https://plus.google.com/116877505219293884241) :

      "Patético é o produto do seu trabalho seu merda.
      Fiz a homenagem sim para minha mãe e não há nada de patético nisso. Não sei mais quantos anos ela estará aqui então quis fazer isso por ela. Se você fosse alguém, teria mais do que um blog de merda depois de tantos anos de trabalho.
      Se um dia lhe encontrar, e vou tentar, vou lhe mostrar o que é patético."

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  2. Não assisto ao programa, mas o que tenho a dizer é sobre essa ameaça que Joao Felippe faz a Helder .

    João, você tem o direito de dizer, fazer, o que quiser. Homenagear quem voce ache que mereça. A partir do momento que você participa de um programa de TV, com jurados e evidentemente com milhões de expectadores, suas atitudes no programa passam a ser motivo de comentários, de quem assiste o programa. Uns verbais entre as pessoas, outros escritos em redes sociais ou mesmo num Blog como o Votalhada como o fez Helder.Da mesma maneira que voce tem esse direito dito acima, quem o assiste tambem tem o direito de achar, comentar e dizer o que quer. Nao vi no que Elder escreveu nada ofensivo, e sim, a maneira que ele o viu, que ele analisou seu comportamento.Voce nao gostou? Direito tbm seu, mas de experessar seu descontentamento, mas nao com ameaça. sabe o que voce me passa? Voce Chef de um restaurante trabalhando. Chega o garçon com um prato que voce fez de volta e diz que o cliente disse que está uma "bosta". Voce indo de encontro ao cliente com o prato na mão e esfrega o mesmo na cara do cliente que nao gostou e xingou seu prato que voce tinha preparado com todo afinco. É assim que penso a seu respeito pela amaeça que faz aqui.
    Lemmbre-se Gentileza gera Gentileza, uma resposta bem dada, inteligente que voce tivesse dado ao Elder, com certeza lhe renderia elogios, Mas sua resposta aqui so tenho mais uma coisa a dizer: Lamento que existam tantas pessoas que acham que resolvem tudo com ameaças.

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    1. Bom dia Laurita.

      Faço minhas as suas palavras.
      Completam meu sentimento em relação ao triste comentário do João Felippe.

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