19 fevereiro 2015

Frank Killer: Certo e Errado


Certo e Errado

Antes de existirem RSs, nos primórdios dos Computadores Pessoais baseados em microprocessadores de 8 bits, 68000 (Motorola), 6502 (MOS), Z80 (Zilog), 8080/8088 (Intel), etc, nas décadas de 70 e 80, existia um jogo de RPG que eu gostava muito, The Eye of The Beholder. O Olho do Observador é o mesmo "Grande Irmão" (Big Brother) da obra de Orwell, "1984". Nos RSs de hoje é "O olho que tudo vê". Esse "Olho" não é a produção ou as câmeras, mas a audiência.

Para esse olho nada escapa, a não ser o que as câmeras não mostram e é isso o que a produção de um RS utiliza (ou não utiliza) para direcionar um RS. Quando um RS é sério, a produção mostra tudo sem omitir nada. Quando não é sério, mostra apenas as cenas que lhes interessam para enganar e iludir a audiência. Mas mesmo nesse caso, ainda é possível para o "Olho" enxergar com relativa precisão o que ocorre, porque esse "Olho" também observa os movimentos e motivações da produção e age e julga de acordo com isso.

Assim, é possível dizer para a Aline, já que ela quer saber, porquê foi eliminada. O que um concursante deseja é possível intuir por suas atitudes e atos. Pode até não ser a verdade, mas é o que parece e, o que parece é importante em um RS. Claro que todos querem ganhar o prêmio, mas isso é abstraído e o que sobressai é a ganância para ganhá-lo e a cobiça subjacente. Em outras palavras, o que você faz com e para esse objetivo (o prêmio).

É importante saber o raciocínio coletivo, saber o que a audiência quer ver, o que ela aprova e desaprova ou a escandaliza. Na verdade a audiência não quer ver só jogo, porque ela, bem ou mal, faz julgamento de valores e juízos. Novamente não faz diferença o que é e o que parece, pois tudo é a mesma coisa. O que você acha que parece que é, torna-se para você o que é. Isso é a base da opinião. Opinião coletiva ou pública é a somatória das opiniões individuais.

Quando duas pessoas dizem que se amaram à primeira vista, isso pode ser o que é para elas, mas pode não ser o que parece para a audiência, porque há um prêmio vultoso em jogo e a audiência sabe disso e tem isso em mente. Se você não a convence do contrário, isto é um motivo de eliminação. Você tem que convencer a maioria, e não uma parte minoritária dela (da audiência). Se é amor verdadeiro, o prêmio torna-se secundário em geral e a audiência perceberá que não é ou que parece que não é, por causa da continuidade e da intensidade na ganância do prêmio.

O amor verdadeiro não tem preço e quando tem um preço, não é o amor, a não ser pelo dinheiro! Mas o amor admite intensidade a ponto de ser avaliado em dinheiro. A questão é saber que tipo de amor (pela intensidade) vale hum milhão e meio de reais. Isso varia de pessoa para pessoa. Para alguns, nenhum tipo de amor vale mais que mil reais. Para outros, nenhum preço paga o amor. Filhos matam os pais por dinheiro, enquanto outros sacrificam a própria vida em favor da ou das pessoas amadas e há muito falso moralismo em torno dessa questão, principalmente em RS.  

O dilema consiste em convencer a audiência que o prêmio tornou-se secundário para você, porque há um histórico das suas ações e atitudes em confinamento! Em miúdos, o que você faz em seu romance e para ganhar o prêmio ou permanecer no Reality, tornam-se importantes e são avaliados. É isto o que a audiência com seu olhar atento analisa. Ela transforma em fatos o que lhe parecem as evidências observadas desses fatos.

Se você está em uma disputa de paredão e forma casal durante essa disputa existem dois fatos a serem avaliados: 1) Se o romance é verdadeiro ou quanto o é e 2) Se a vontade de permanecer tem ou não a ver com a atitude de formar casal. Quando a audiência ainda não teve de tempo de avaliar se o romance é verdadeiro ela pode dar um crédito de confiança para analisar melhor. Mas se concluir que não é, o castigo vem, cedo ou tarde.

Nessa avaliação entram outros componentes do caráter. Não só se o romance é real ou fingido. Uma parte da audiência é radical e cética e não aceita em nenhuma hipótese o romance em Realities. É uma coisa que não pode ser mudada. Mas há uma parcela, talvez majoritária, que aceita a possibilidade do amor verdadeiro ou suficientemente real. Acrescidos ao romance em si, os atributos de caráter ganham importância e os comportamentos referem-se a eles. As atitudes na convivência com os demais tornam-se importantes. Quando um casal se isola, esqueceu essa parte.

A maneira como um casal se estabelece é também importante e diz do caráter. O "fura olho" referido pelo Bial é um motivo para eliminação, à luz do olhar da audiência. O momento e as condições em que se estabelece também. Se você está nessa hora em um paredão, pode ser adiado, mas permanece como motivo a ser pesado mais tarde. Nesse caso, não influi muito a terceira pessoa do triângulo amoroso e se você tenta forçar essa influência, também é motivo.

Resumindo então temos os seguintes motivos para a sua eliminação, motivos esses que podem não ser reais mas que são os que pareceram ao "olho que tudo vê":

a) Estar em uma disputa de Paredão contra a Julia. A produção diz que é uma berlinda apenas, mas uma berlinda é um paredão. O fato de não ter havido uma votação dos concursantes para formar um paredão não significa que não seja um paredão. No caso é um paredão formado pela produção, como foi a última roça formada pela produção e por concursantes já eliminados da Fazenda 7. É apenas uma questão de denominação, mas a consequência ou o resultado é o mesmo: uma decisão a ser tomada pela audiência e alguém a ser eliminado e alguém a permanecer na disputa. Este é o fato que determina se é um paredão ou roça. Mesmo no caso de uma Casa de Vidro, é paredão. Só escapa dessa denominação, a seleção do casting, porque não é uma escolha direta do público.

b) Furar olho! Fernando e Amanda estavam a caminho de formar um casal. Não importa se iria vingar ou não, não é ético uma terceira pessoa entrar na disputa de um dos envolvidos, aos olhos do público. Tudo bem que não se comanda o coração, mas o coração pode ser refreado. Você pode se conter com a razão e isso contaria pontos a seu favor se percebido pela audiência. Ao contrário, atirar-se de coração no romance, sem olhar as consequências, pode não ser aceito e não foi. São as consequência aludidas pelo Bial, entre outras.

c) Decoro. Diz-se que na "guerra e no amor vale tudo", mas num RS não. Há coisas que não se aplicam a um RS, e que não se deve dizer e não se faz em um RS, embora sejam fatos ou factíveis externamente, fora das câmeras e microfones. Há um público assistindo a ser levado em conta e a ser respeitado. Se você analisar o que fez e o que disse verá que deu motivos, sem precisar citar explicitamente aqui. Milhões de pessoas assistem um RS e há gente ou pessoas de todas as idades e condições sociais com diferentes níveis de moralidade que podem ser escandalizadas ou não concordarem com suas atitudes e atos. O que se faz sob os edredons pode ser tolerado, mas permanece coisa íntima, que diz respeito só ao casal. Os comentários eventuais sobre isso podem ser motivos.

d) Isolamento. Um casal pode se isolar dos demais ou ser isolado. Seus esforços têm que ser no sentido de não se isolar ou não facilitar ser isolado, se estiver em casal. Isso tem a ver com seus relacionamentos com os demais. Se parecer um auto-isolamento proposital é motivo. Se não for, o aproveitamento disso para fazer parecer perseguição também pode ser motivo.

e) Finalmente, há as características da personalidade, do caráter e da boa disposição dos sentimentos. Isso tem um grande peso. Atributos negativos como cobiça, ganância, etc; atitudes e atos como a detração, fofocas, difamação, ofensas, etc, são motivos, assim como os sentimentos ditos negativos, (asco, ira, inveja, ciúme, etc). Dizer que não tem esses defeitos não é suficiente e eles podem transparecer em suas atitudes, independentemente de suas negativas.

Nem sempre o que um concursante acha ser o certo ou moralmente aceito, é o que pensa a maioria do público.     



"Ângela Bastos 17 de fevereiro de 2015 10:45
Tamires apenas tenta se fazer de boba. Ela sabe que o grupo do Adrilles, para tentar se defender, vota sempre na mesma pessoa. Ao dar o Anjo a ele, o mesmo terá uma dívida de gratidão com ela e assim, seguirá por semanas sem ser votada. Proteger Amanda e Angélica foi a última coisa que passou pela sua cabeça!"

Concordo, Ângela. Mas que foi uma ficada de muro, lá isso foi! Você usa a bênção do Anjo para salvar um amigo ou aliado, não um adversário de seus amigos e aliados. Achei errado da parte da Tamires, não tentar salvar quem ela gosta mais, a não ser que não goste de ninguém, como ficou parecendo.

"Fusquinha 17 de fevereiro de 2015 11:18
Perfeito, concordo com tudo.
Espero muito mesmo que Aline hum, hum vaze."

Né? Você acha que isso é o certo e que o errado seria tirar a Mariza, por exemplo.

"anna paula 17 de fevereiro de 2015 13:05
olá Frank! Eu assisti qdo a Tamires explicou para o Luan a sua decisão de dar o anjo para o Adriles. Confesso que fiquei surpresa com a sua estratégia, pois vinda dela que até então era, ao meu ver, uma pessoa "medíocre"..."

Olá, Anna Paula! Também vi a conversa ao vivo. Em minha opinião a Tamires tinha o dever de salvar uma das amigas, porque ela não sabia que o paredão seria triplo. Isso seria o certo nas circunstâncias e ela poderia alegar que só poderia salvar uma. Se fosse paredão simples ela teria salvo as duas ou uma delas, pois o Cézar poderia ajudar com o voto dele no confessionário ou ao vivo. Acho que ele só mudou de lado porque a Tamires imunizou o Adrilles, ao invés de uma amiga ou ele. Em sua visão Tamires fez uma escolha entre ele e Adrilles.

Felizmente deu tudo certo e as duas amigas continuam no Reality, graças à produção. Na verdade a intenção da produção era salvar a Mariza, em minha opinião. Se Talita e Rafael votassem em Adrilles, poderia não ter ido nenhuma das duas para o paredão, mas isso já seria "se"!  Pela postagem do Google Analytics publicada no Votalhada, você pode ver que o público acima de 35 anos é mais que 1/3 do total. Abraços.

"Flaider Pimentel 17 de fevereiro de 2015 13:57
...Discordo com o teor "maléfico" com o Adrilles, ele não é nenhum inocente. Abraço"

Abraço, Flaider. Você pode discordar de qualquer opinião que quiser, mas discorde de uma opinião existente. Por exemplo, onde está esse teor "maléfico" que referenciou ou o quê considerou "maléfico"? Dizer que "ele não é nenhum inocente" é bem "benéfico" em sua opinião? Aliás concordo que ele não é inocente, mas foi você quem falou isso, e não eu. Se você discorda de um teor "maléfico" o certo é citar esse teor, não concorda? Se você quis dizer que o Adrilles tem um teor "maléfico", deveria ser mais claro em suas palavras, para não atribuir essa opinião a mim. 


"Bruna Jones: "Aline Gotschalg é eliminada com 53% dos votos", 19/2 09h00
...dá que a pessoa que queria a eliminação de Mariza, sem poder votar, transferiu seu voto para Aline? A loira acabou sendo "injustiçada", creio eu... Faz sentido minha linha de raciocínio ou eu estou divagando?"

Faz sentido, Bruna. 12 milhões de votos são 21,4% do total de 56 milhões, dez vezes mais do que a Mariza tinha quando saiu da disputa. No caso, teria sido a Aline a injustiçada, pois como você intuiu, quem queria eliminar a Mariza provavelmente preferiu eliminar a Aline. 

A distribuição de votos ficou assim: Mariza (2%) ficou com 1.120.000. Amanda (45%) ficou com 25.200.000. Aline (53%) ficou 29.680.000. A metade +1 da diferença de votos entre Aline e Amanda é 4.480.001  

Se apenas 8% a mais desses 56 milhões de votos tivessem sido na Mariza, ao invés de na Aline, ela ficaria com 10%, Aline e Amanda ficariam com 45% cada. Na verdade o percentual da Aline nem chegaria aos 53% que chegou (ou 45% na hipótese levantada), se os vídeos apresentados pelo programa não tivessem sido tão desfavoráveis a ela. 12 milhões (número de votos computados após a retirada da Mariza da disputa) representam 21,4% do total de 56 milhões, se for verdade que o total era de 44 milhões no início do programa.

Tem muito "se" nesta história e o mais provável é que a Aline seria eliminada, embora com um percentual menor. A produção poderia querer, no caso, apenas dar um placar indiscutível, o que ainda assim é injusto e errado.


2 comentários:

  1. Vc é um ótimo analista, porém no caso da Aline o determinante foi simplesmente a mobilização das fanáticas Clanessas.

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