05 novembro 2014

Os erros de Debora Lyra e Robson Caetano

Era de se esperar outro destino no jogo de Debora Lyra, que periga ser eliminada nesta quinta, no confronto direto com Robson Caetano. Eu, particularmente, sou a favor de que sejam eliminados todos os menos conhecidos logo de cara, por mais que eles façam alguma história no confinamento, porque em um programa que tem a premissa de confinar famosos, convenhamos, deixar um semi-anônimo ou semi-famoso, dá no mesmo, é comprar a deslealdade da emissora com o formato e com o público. 

Do outro lado da berlinda, está um atleta consagrado que, por ser tão estrategista, vem sendo desprezado pelo próprio grupo. Particularmente, é um argumento fraco para colocar alguém de escanteio em um jogo de resta um em que apenas alguém deles ganhará os dois milhões. Robson escolheu partir para um jogo solo, e isso não faz dele pior ou melhor do que ninguém que está lá dentro – outras atitudes que ele tem definem mais o caráter dele do que o objetivo de “tirar as lideranças da casa”. Tenho comigo que a implicância dele com Helô veio porque, nas festas, ela, quando está embriagada sempre o chama de homossexual – e não porque ela é a líder do grupo Coelho. 

Robson, que já posou para uma revista gay, deve ter em sua imagem um pouco deste rótulo, sim, e se incomoda com isso. Helô, quando embriagada, trata deste assunto como se isso fosse um defeito em si: “se você não deixar tomar cerveja, vou falar que você é gay”, ameaçou ela. A gente pode ter controle sobre o que falamos, mas não com as emoções de quem vai receber o que dissemos. Robson tomou isso como uma ofensa seriíssima, ignorando ela estar embriagada, como se realmente ser confundido com um homossexual fosse algo extremamente ruim. Para entender os dois, é preciso observar que ambos vêm de gerações passadas, cujo ranço da homossexualidade era relacionado à vergonha, ao desprezo, à promiscuidade e sobretudo, à violência, quando eram taxados e submetidos a coisas terríveis. Isso até hoje acontece, o que é gravíssimo, mas em escala um pouco menor e mais velada.  

Mas na votação desta quinta, muita coisa está em jogo. A essa altura do campeonato, tanto Débora quanto Robson já têm o seu público cativo. Robson erra por querer manter uma imagem que não tem. Ele já mostrou que não é o homem equilibrado que tenta passar diante das câmeras. Em certos momentos, mostra profundo desprezo pelas mulheres, como fez quando chamou Helô de “bosta” e, fora do confinamento, há um episódio em que ele agrediu uma mulher.

Confesso a você que gostava mais de Debora antes de ela namorar Marlos. Depois disso, ela praticamente desapareceu do jogo – não das câmeras, porque tanto ela, quanto Marlos, aparecem mais tempo juntos (repare como vivem se olhando no espelho ) no programa do que sozinhos. E quando ele está só, segue um script sofrível do herói desejado pelas outras participantes – Marlos, me poupe – que luta contra pessoas que querem separar “o casal”. Ela, com ele, quando não aparece se agarrando, está concordando com alguma tolice que ele diz.

Fiquei olhando ela impassível ver ele falar um monte de bobagens à amiga dela, Babi, só porque foi votado por ela. Em um jogo em que toda semana é preciso votar em um, levar qualquer voto para o lado pessoal é tolice. Babi já provou do veneno dele, e nesta roça, tenho comigo que ela teria ganhado muitos pontos se tivesse votado nele novamente para mostrar personalidade e, também, porque ele disse que “não sossegaria enquanto não tirasse ela de lá”. Seria um bom argumento. Contra Débora, há o fator das torcidas, que podem querer a eliminação dela temendo que o casal se fortaleça. 

O erro de Débora, uma menina bonita, articulada e até miss, foi entrar no programa com um roteiro na cabeça. Ficar com um rapaz e repetir a história de Bárbara Evans – e não estou entrando em questão se o romance entre Debora e Marlos é verdadeiro ou não, mas, independente do que aconteceu fora do confinamento entre a senhorita Evans e o tatuado Matheus Verdelho... ela se mostrava louca por ele. Além disso, o casal Bartheus era cheio de imperfeições que, de alguma maneira, os humanizava. 

Já o Darlos, da edição seguinte, é perfeito demais para ser comprado pelo público. A Record corroborou na torcida de que outro casal despontasse na preferência popular e, numa das festas, os vestiu de príncipe e princesa, dando margem ao patético jogo de cena que vem sendo feito pelos dois. Debora é linda, Marlos nem credibilidade para ser galã tem. E, no início do programa, Debora arrastou asa para Léo, acredito que em Diego também, e acertou em Marlos. Há casais que funcionam de diferentes maneiras e, na minha opinião, eles funcionavam mais como amigos. Era bonito de se ver as conversas, agradável de assistir mesmo. Mas aí quando começaram a forçar a barra... O que foi aquilo de Marlos voltar de uma roça e pegar uma flor para Debora? Romantismo ou pura forçação de barra? Acredito mais na segunda hipótese. 

Querer repetir as histórias alheias que fizeram sucesso é o grande erro de um participante que faz isso, porque são elencos diferentes, situações diferentes e, dependendo da história que começar a surgir a partir dos participantes, públicos diferentes. Lorena Bueri é o exemplo mais recente: quis ser Nicole Bahls, até a maneira de falar era parecida, e se deu mal. Quem voltar, trará desdobramentos diferentes. Robson será visto como favorito, e Helô será vista como a errada. As pessoas do grupo Coelho irão se aproximar dele. Além disso, Marlos abraçará o script de herói vingador, pode até chorar um pouquinho, e vamos ver até que ponto a canastrice dele é capaz de chegar. Se Débora voltar, eles vão achar que o casal está arrasando e Marlos ficará ainda mais cheio de si do que já está.  Voltando a falar sobre casais que funcionam de diferentes maneiras, creio que Helô e DH são o melhor casal (de amigos) que poderia existir em um reality. Eles se desentendem, ficam brigados, mas DH sempre está por lá, pertinho dela. 

E, sobre a eliminação da semana passada, Cristina Mortágua foi a grande injustiçada deste programa. Entrou no pior grupo, o Ovelha, e acabou pagando por isso. Claro, faltou ela entrar no jogo antes e ter se posicionado mais. Helô ganhou o favoritismo quando colocou Felipeh Campos no lugar dele, após aquela fatídica votação em que ele disparou preconceitos e mostrou que o pior deles é com ele mesmo. Mas, enquanto as manipulações para os vilões da casa permanecerem, para livrar o programa do marasmo, inocentes, que deveriam sair bem depois... continuam pagando o pato.

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