02 outubro 2014

Do Cantinho da Shadow: Dupla Identidade



Não sei quanto a você, mas prefiro uma boa minissérie a uma ótima e longa novela. Talvez seja influência desse nosso cotidiano imediatista, feito de respostas rápidas e linguagem dinâmica.

Não consigo acompanhar 180 capítulos de uma novela para ver qual será o desfecho de seus personagens, por maior que seja a expectativa, está além das minhas forças; prefiro os 13 capítulos de uma minissérie. 

E nesse seguimento, é inegável e inconteste que a Rede Globo tem investido e apresentado verdadeiras preciosidades, desde “Agosto”, “A Casa das Sete Mulheres”, “Hilda Furacão”, às mais recentes, como “O Canto da Sereia”, “Amores Roubados”, “O Rebu”, até, a atual, “Dupla Identidade”.

Elas (as minisséries) têm encantado ao público brasileiro não apenas pela qualidade dos roteiros enxutos e impecáveis, ou, pelo calibre do elenco escalado, com atores quase sempre inesquecíveis em alguns papéis; mas, também, pelo esmero na direção e beleza no tratamento visual, capaz de imprimir na tela uma fotografia cinematográfica. Pois é, não são apenas as séries americanas e britânicas que são inovadoras e espetaculares.

Há duas semanas, foi ao ar o primeiro capítulo de “Dupla Identidade”, obra escrita por Glória Perez. Desta vez, ela nos convida a acompanhar o dia-a-dia de um serial killer, que tem a indefensável compulsão de matar mulheres, com a mesma naturalidade com que retorna ao seu cotidiano, sua namorada e trabalho. Não deixa de ser o “inofensivo” vizinho, conhecido, amigo, parente que poderia estar tomando cafezinho comigo, com você, na padaria da esquina.

Sim, muitas são as referências a “CSI”, “Criminal Minds”, “Law and Order”, “Dexter”, “The Fall” e outras séries do gênero. Mas essa tem o mérito de ser nossa, e tem mais: alguém se cansa de assistir a uma boa história de suspense? “Psicose” de Hitchcock até hoje é um clássico!

A história do nosso serial killer situa-se no Rio de Janeiro. A fotografia – sob a direção de Mauro Mendonça Filho – destaca a cidade por meio de um jogo de luz e sombra, criando um clima noir, como elemento de dramaticidade. Ele, Edu, vivido pelo talentosíssimo Bruno Gagliasso, é um inteligente e charmoso advogado e estudante de Psicologia. Pasme!!! Quer mais? Trabalha para um senador que o acha brilhante, e aposta todas as suas fichas na próspera carreira política do rapaz. Pois é, até na ficção os políticos cometem graves e imperdoáveis erros de avaliação... E... nas horas vagas, ele é o dedicado voluntário do serviço de atendimento a suicidas de uma ONG. Moço tão bom!!! Ah, além disso, ele também iniciou um romance com a solitária Ray (Débora Falabella), mãe de uma menininha. Coitada, bastaram dois capítulos para demonstrar o maior apego pelo tal do Edu, totalmente entregue e apaixonada. Afff... o sintoma da mulher apaixonada: a cegueira!!!

A trama começa a ficar interessante quando a polícia, sob o comando de Dias (Marcello Novaes) e Vera (Luana Piovani) passa a investigar a sequência de assassinatos de mulheres na cidade maravilhosa. O delegado Dias e a psicóloga forense Vera (em cujo currículo consta ter trabalhado para o FBI) têm o desafio de traçar o perfil do provável assassino, começando do zero. Até agora, apenas uma das vítimas chamou a atenção: a amante do senador para quem o Edu trabalha. Lascou-se! Entre a mulher traída publicamente e a suspeita de homicídio, difícil saber o que pode ser mais nefasto para um político! Tomara que se ferre, não ando com a menor paciência pra políticos ultimamente, da ficção ou não.

Como não existe crime perfeito, a primeira prova material nas mãos da polícia é um isqueiro coletado no local do último crime, com as impressões digitais de quem? Do Edu! Na mosca!, só que não. O dissimulado compareceu para prestar esclarecimentos na delegacia com um Boletim de Ocorrência, dizendo que na noite anterior havia sido assaltado. Mas é muito cara de pau! E ainda teve a desfaçatez de perguntar ao Dias, onde ele havia encontrado seu isqueiro?!? É um mascarado mesmo esse psicopata!!!

Aí está o enredo, o jogo proposto. Enquanto as investigações vão atrás de pistas e deslizes deixados pra trás pelo sombrio serial killer, este tenta com astúcia e esperteza escapar das armadilhas preparadas pela polícia e driblar os descuidos por ele cometidos. Como todo psicopata é frio e calculista, sem dúvida, Glória Perez preparou um interessante jogo de rato e gato para nossa diversão e deleite.

Que venha o terceiro capítulo!!!

Shadow
@ Shadowtweetando


7 comentários:

  1. Querida Shadow. É sempre muito bom lê-la. Ainda mais abrindo esta nova faceta no nosso querido Votalhada. Eu particularmente vi o primeiro capítulo até agora e não sei se gostei ou não. Explico: ter Luana Piovani no elenco é sempre um luxo, se eu fosse novelista (algum dia te envio uns roteiros de novela que escrevi e sempre penso na Luana para a protagonista, vai entender) ela seria minha musa inspiradora. Neste papel, em específico, achei ela muito canastrona e a linguagem um pouco forçada, quase caricatural e didática demais. Não vi o segundo episódio, mas vou ver. Não é nem para tirar a dúvida se gostei ou não, porque tem Luana Piovani e tudo o que ela faz é obrigatório para mim ver... Adoro o seu olhar sobre os assuntos. Seus textos sempre me extraem sorrisos largos: "Coitada, bastaram dois capítulos para demonstrar o maior apego pelo tal do Edu, totalmente entregue e apaixonada. Afff... o sintoma da mulher apaixonada: a cegueira!!!" e "Tomara que se ferre, não ando com a menor paciência pra políticos ultimamente, da ficção ou não". Mas, como nada pode ser perfeito... eu, também, não deixo de ser o “inofensivo” vizinho, conhecido, amigo, parente que poderia estar tomando cafezinho com você, na padaria da esquina... KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK! Brincadeirinha! Um abraço gigante! ;-)

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  2. Minha visão é bem parecida com a tua.
    Mas estou encantado é com a fotografia.
    Qualidade 10

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    1. A fotografia é bem cuidada e esmerada. Eles tem tido esse cuidado nas minisséries ultimamente. Ajuda a criar o clima e a sugar o público pra dentro da tela!

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  3. Kkkkk.... Morri com o final do seu comentário!!!

    Viu só, bem que mamãe dizia que um dia eu seria pioneira em alguma coisa. Inaugurei a nova faceta do Votalhada. Ela se orgulharia de mim, rsss...

    Helder o elenco é de primeira. O Bruno Gagliasso às vezes fixa o olhar na tela de tal maneira, que dá vontade da gente se esconder debaixo do edredom. Débora Falabella reconhecidamente é uma excelente atriz e a sua Luana... ah... a sua Luana, arrasou no segundo capítulo contracenando com a mais recente subcelebridade, Diego não sei da quantas, também conhecido como “O Louco” de AFazenda. Ele fez uma figuraçãozinha básica, uma pontinha por assim dizer, entrou mudo e saiu calado quase sem ser notado, porque a tela foi toda da sua Luana. Talvez isso explique, em parte, a necessidade que ele tem em ser protagonista naquele hospício. Tadinho!, só que não.

    Quanto à Luana Piovani, sua personagem é o fio condutor da investigação, talvez neste início a interpretação esteja um pouco caricatural. Não sei se por um recurso intencional da escritora para facilitar a compreensão do público ou por uma real limitação do texto. No entanto, quer me parecer que o seu personagem irá crescendo à medida que a investigação comece a ganhar contornos e a tensão comece a se estabelecer entre ela e o assassino.

    Saindo pra tomar um cafezinho. Ah, se eu não retornar nos próximos dias, já sabe: comece procurando pistas nas imagens da câmera da padaria da esquina, rssss....

    Um grande abraço, Shadow

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  4. Nao aguento esperar uma semana para ver o proximo cap..depois que terminar baixo na net e vejo tudo junto..

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  5. Olhe Maria, essa sua ideia é muito boa! Ao ver tudo junto dá pra pegar detalhes que muitas vezes passam desapercebidos... perde-se apenas a tensão e o clima de suspense, por já saber o final. Mas quando a história e os atores são bons, sempre vale a pena rever.

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