09 outubro 2013

Helder Miranda Comenta:
Sobre a ‘junioridade’ e ansiedade da Daniely


Sobre a ‘junioridade’
e ansiedade da Daniely


Não existe ingenuidade em um reality show em que os participantes jogam pela segunda vez. Cometer os mesmos erros que fizeram com que saíssem do programa é burrice. Mas em “O Aprendiz” o participante que ganhará a tal segunda chance já está escolhido. Toda escolha é subjetiva, e Justus já tem suas predileções – e isto não é uma crítica, é apenas um apontamento. Todos têm. E é questão de tempo para perceber, claramente, isso.

Eu, particularmente, não acredito na união de um grupo que troca farpas no “mata-mata” de uma sala de reuniões. Balela e ingenuidade pensar que tudo que acontece dentro daquela sala fica lá, até a próxima tarefa. Pois “O Aprendiz” também é um jogo de mágoas e, mais precisamente, de colher argumentos para uma vingança pessoal, disfarçada pelo cunho profissional.

Mas antes de tudo, é preciso entender a respeito do programa em que se participa pela SEGUNDA vez. Os grupos “Flecha” e “Sinergia” foram colocados numa sala repleta de vestido de noivas. Os homens, atabalhoados pela necessidade de mostrar serviço, foram pegando os vestidos sem ordem de ninguém. Nesse programa, confunde-se, muitas vezes com o incentivo de Roberto Justus, atitude com falta de educação. Quando o apresentador chegou naquela sala e viu a bagunça, questionou o que havia acontecendo. “Pro-atividade”, respondeu um deles. “Pro-atividade às vezes é perda de tempo”, rebateu o apresentador. Concordo. E burrice, eu acrescentaria.

Neste programa é engraçado ver como, principalmente, os engravatados se atrapalham para agradar o chefe. Seriam eles assim na vida real, com toda a panca que cada um deles apresenta. Chegam a se tornar patéticos, como foram e como vão ser durante o andamento do programa para o deleite de determinada faixa de público que se deleita em ver os prepotentes se ferrarem. É uma pena, porque em “O Aprendiz” não há mocinhos para se torcer. O que se espera, no máximo, é o brilhantismo de algum candidato.

Maytê Carvalho, participante da sexta edição, é tudo o que a eliminada da semana falou. Mas não entendo como uma pessoa dessas, com tantos outros concorrentes, chega num programa cujo critério é selecionar o mais competente. No início da tarefa anotou tudo para, quem sabe, encontrar um vestido de noiva igual. Isso lá é tarefa para “O Aprendiz”? Diferentemente do que Maytê esperava, a ação era levantar mais dinheiro com 50 vestidos. Poderiam fazer o que quisessem. Alugar, vender, queimar... contanto que fizessem “Money, Money, Money, Money”, como o refrão da abertura.

“A gente tem focado bastante no planejamento e acho que isso é muito assertivo porque a principal acusação que a gente sofreu na sala de reunião (blá, blá, blá), então a gente deve focar uma estratégia e alinhar um discurso”, disse Maytê, numa fala sem ppé nem cabeça cujo resto não entendi nada. Com esse clichê, planejamento para não serem acusadas de falta disso, e um falar por falar embaralhado... estava na cara que elas perderiam. Até Neymar e Ganso foram citados para a prova, sem contar que inventam até palavras.  “Não suporto a ‘junioridade’ e a ansiedade da Daniely”, soltou mais uma pérola a Maytê, num depoimento para as câmeras.

Melina Konstadinidis, líder da tarefa no grupo feminino, apontou o que era óbvio: o clima formado por pessoas que querem se destacar porque temiam a sala de reuniões. Trabalhar em equipe para depois conseguir lutar pelo que é individual. É a estratégia da líder. Talvez a maturidade de uma candidata, nesta edição, faça a diferença. Mas não vejo Melina nesta final. Posso estar enganado, e que bom se estiver, mas nesta tarefa ela se perdeu pelo excesso de confiança e a própria arrogância. A experiência da participante pode ser, no fim das contas, o seu calcanhar de Aquiles. E, dentro deste contexto, Melina só leva o cargo se se reinventar dentro do jogo.

Guilherme Séder, da segunda edição, alguns anos e quilos a mais depois, assumiu a liderança masculina. Com pontos a menos, pela trapalhada de carregar os vestidos no início da prova. A ideia foi dele, repetindo o personagem trapalhão que era em sua primeira chance, e recorrendo a alguns clichês. “Vou assumir esta liderança com toda a garra e disposição que eu tenho, e não quero outro resultado senão a vitória”. Típico.

Mas a equipe Flecha foi mais objetiva e se saiu melhor. Talvez os homens, com um pouco mais de sangue frio, tenham mais chances nas atividades propostas por Roberto Justus. “Fiquei muito feliz com a liderança porque o resultado foi muito expressivo”, enfatizou a liderança masculina ao citar os R$ 10 mil arrecadados pela venda de 50 vestidos. Só se for comparada à arrecadação de R$ 651 das mulheres, porque cada vestido valia R$ 5 mil. Honestamente, ambos, homens e mulheres, perderam a prova.

Mas Carlos Nakao, da terceira edição, cantou vitória. “A gente teve um resultado 20 vezes maior que as meninas, o que mostra que nosso trabalho está em bastante harmonia, nosso time está muito coeso”, explicou, comparando toda a ação a um resultado desastroso e sentindo-se satisfeito com isso. O prêmio? Jantar na casa de Roberto Justus, com a presença dele. Quem se sentiria à vontade?

As mulheres, todas muito passionais, com exceção de Karina Ribeiro (sexta edição) – que leva vantagem por ser a mais controlada - não acreditaram em nada do que estavam propondo. É o que sempre fica nítido no rosto de Karina quando ela está inserida numa ação de venda em que não acredita. “Não é o vestido, é a ação”, ressaltou a liderança feminina Melina. “Quanto você pagaria neste vestido, Margarete? Se fosse para te vender agora? Porque eu quero muito vender para você”, disse Renata Tolentino, a vice-campeã da oitava temporada. “Nada, porque eu não compraria ele”, disse a dona da loja.

Os homens optaram pela estratégia mais fácil e prática no curto prazo de tempo. Venderam a carga completa dos vestidos a R$ 200 cada. Missão cumprida. ”Em termos de estratégia e execução foi ok”, finalizou o líder. Ok, mas nada impressionante, embora melhor que as mulheres. “O desempenho é pífio. É vergonhoso. A gente não vendeu nada. Não sei como vou no anúncio da tarefa, estou com vergonha de aparecer lá”, disse Karine Bidart, da terceira edição. “O problema não está em planejar. O problema está em só planejar”, disse o consultor Renato Santos. Verdade, as mulheres perderam muito tempo com isso e, mais do que isso, focadas na ambição da própria líder em fazer bonito.

“Eu não estou pensando em culpar ninguém agora. Estou focada na tarefa. Acho que algumas vezes as pessoas ratearam, fizeram corpo mole, ou ficaram muito nervosas e deixaram de focar no que realmente precisava”, disse Danielly Zanotti, que participou da oitava edição.  Para a venda de vestidos, uma das estratégias que chamou a atenção foi a de um casamento comunitário. “Com 30 mulheres de uma mesma empresa casando...”. Mas espera. Casamento comunitário e alto poder aquisitivo não batem.

Logo no primeiro programa, estava na cara que Daniely não duraria muito. Por que? Ela se esconde atrás de críticas aos outros, arrecadando argumentos. Mas nada explica o papelão de dizer que as mulheres combinaram votos porque ela participou de uma das edições com João Dória Júnior e, por isso, era desfavorecida. Esse é o problema das pessoas que se vitimizam: não saberem perder.


Helder Miranda@senhorhelder
Formado pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), e pós-graduado em "Mídia, Informação e Cultura", na USP (Universidade de São Paulo), Helder Miranda é jornalista, atua como editor do site cultural www.resenhando.com e também como repórter de outros veículos de comunicação. Foi redator de press-releases da Globo Livros, da DCL - Difusão Cultural do Livro, coordenador de redes sociais do selo editorial Tordesilhas e resenhista de literatura no Portal IG. Atualmente, também é estudante de Letras na UniSantos. 



7 comentários:

  1. Confesso que esperava muito mais de um grupo que já teria participado.
    Parece um bando de estudantes do 1º grau comentendo erros imperdoáveis.
    Parabéns pelo texto.
    Abraço.

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    1. Eu, na verdade, já não esperava muito. O que esperar de um grupo em que todos já foram demitidos? Mas concordo com você. O problema da liderança da Melina foi a prepotência dela misturada com a subserviência das outras participantes.

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    2. Eu, na verdade, já não esperava muito. O que esperar de um grupo em que todos já foram demitidos? Mas concordo com você. O problema da liderança da Melina foi a prepotência dela misturada com a subserviência das outras participantes. Um abraço!

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  2. "Honestamente, ambos, homens e mulheres, perderam a prova"
    Eu pensei exatamente a mesma coisa enquanto assistia o programa, se cada vestido valia de 5 mil a 18 mil, vender os 50 por um pouco mais de 10 mil, não é exatamente uma vitoria, 200,00 em um vestido de 5 mil mal deve pagar o custo do vestido, imagine em um de 18 mil então... eu acho que ambas as equipes tiveram um resultado horrível, só que o das mulheres conseguiu ser mais horrível ainda!!

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    1. Paola, você está corretíssima. Achei pieguice do Justus dizer que eles venceram, porque, convenhamos, não aconteceu. Mas eles querem acreditar que sim. Segundo a lista que vazou, as mulheres irão reagir. Tomara que a gente consiga enxergar um jogo bonito de se ver se isso é possível. Um abraço!

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  3. Queria saber quem inventou o nome dos grupos: FLECHA e SINERGIA.
    Não vale nem a pena comentar sobre o resto.Helder Miranda já expos a situação real do programa.Parabéns pelo comentário.

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    1. "Flecha" eu acho ridículo. "Sinergia", incoerente como toda esta edição sem razão de ser... rs! Um abraço!

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